Um grupo de 51 pessoas vinculadas às igrejas luteranas da África do Sul participam, durante o mês de abril de 2026, de um curso internacional voltado à promoção da justiça de gênero no contexto da fé cristã. A formação é promovida pela Faculdades EST, por meio do Programa de Gênero e Religião (PGR), reunindo lideranças religiosas, pessoas estudantes de teologia e agentes comunitárias interessadas em aprofundar a relação entre liturgia, culto e inclusão.
Intitulado “Worship as Witness: Liturgy, Worship and Gender Justice” (Culto como testemunho: Liturgia, Culto e Justiça de Gênero), o curso ocorre nas quartas-feiras à tarde, entre os dias 8 e 29 de abril, totalizando quatro encontros. A iniciativa é resultado de uma articulação internacional entre a Federação Luterana Mundial (FLM), a Faculdades EST e a Igreja Evangélica Luterana na África Austral (ELCSA), fortalecendo redes de cooperação entre igrejas e instituições teológicas.
A proposta parte do entendimento de que a liturgia, expressa em orações, cânticos e rituais, desempenha papel central na formação das comunidades de fé e pode tanto reforçar quanto desafiar estruturas de desigualdade. A ministrante e idealizadora do curso é a professora da Faculdades EST, doutora Soraya Eberle.
Ao longo dos encontros, as pessoas participantes foram convidadas a analisar criticamente elementos tradicionais da linguagem litúrgica, identificar traços patriarcais ainda presentes nas práticas religiosas e desenvolver abordagens mais inclusivas. A formação também abordou temas como a linguagem sobre Deus e a humanidade, o papel do corpo no culto e a construção de espaços celebrativos mais acolhedores.
Mais do que um curso pontual, a iniciativa se insere em um percurso formativo mais amplo. Sua origem está em ações anteriores, como o projeto “Missão com Mulheres”, no Brasil, e a iniciativa latino-americana “El papel de la Iglesia en la prevención y superación de la violencia contra las mujeres en las comunidades luteranas”. A partir dessas experiências, surgiu a necessidade de aprofundar a reflexão sobre o culto como espaço de testemunho e transformação.
Em 2025, o curso já havia sido realizado com participantes da América do Sul, América Central e Caribe, contando também com a presença de uma participante da África do Sul, que posteriormente mobilizou sua igreja, a ELCSA, para promover a formação em seu contexto. Esta edição marca, portanto, a ampliação do alcance internacional da proposta.