Faculdades EST participa da apresentação na Assembleia Legislativa e destaca, por meio do Programa de Gênero e Religião (PGR), o compromisso acadêmico e teológico no enfrentamento à violência contra as mulheres
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul sediou a apresentação do relatório da Comissão Externa dos Casos de Feminicídios no Estado do Rio Grande do Sul, na terça-feira (10). A divulgação ocorreu no mesmo dia em que mais dois casos de feminicídio foram registrados no Estado. Somente em 2026, o Rio Grande do Sul já contabiliza 13 assassinatos de mulheres por razão de gênero.

A Faculdades EST esteve representada pela professora doutora Marcia Blasi, que ressaltou o compromisso histórico da instituição com a justiça de gênero e o enfrentamento à violência contra as mulheres, especialmente por meio do Programa de Gênero e Religião (PGR). “Os dados apresentados nos convocam a uma responsabilidade coletiva. O feminicídio não é um fato isolado, mas a expressão extrema de uma cultura que naturaliza a violência e o controle sobre o corpo e a vida das mulheres. Precisamos enfrentar essa raiz cultural com educação, formação crítica e compromisso ético”, afirmou.
A representante do PGR destacou que a Faculdades EST atua de forma contínua na formação de lideranças religiosas e profissionais comprometidas com a promoção da dignidade humana. “Como instituição de ensino, afirmamos a justiça de gênero como nosso compromisso teológico, pedagógico e ético. Por meio do Programa de Gênero e Religião e das nossas práticas educativas, trabalhamos para desconstruir discursos que legitimam a violência e para fortalecer redes de proteção e cuidado”, enfatizou.
Para a professora, o engajamento de instituições acadêmicas e religiosas é fundamental na construção de uma cultura de respeito e igualdade. “A transformação que buscamos exige articulação entre poder público, sociedade civil, igrejas e universidades. Combater a violência contra as mulheres é defender direitos humanos e afirmar que nenhuma vida pode ser tratada como descartável”.
O documento aponta falhas estruturais na prevenção, proteção e resposta do Estado à violência contra as mulheres. A maioria dos crimes analisados foi precedida por histórico de violência doméstica, ameaças e, em diversos casos, por registros policiais e medidas protetivas que não foram suficientes para evitar os assassinatos. Os dados revelam a gravidade da situação: mortes brutais, muitas vezes cometidas na presença de crianças, evidenciando a urgência de ações estruturais e articuladas.
A relatora da Comissão, deputada federal Maria do Rosário, destacou que o documento evidencia a fragilidade da rede de atendimento às mulheres, com carência de delegacias especializadas, equipes multidisciplinares, casas-abrigo e monitoramento efetivo dos agressores. Também foram apontados problemas na articulação entre Judiciário, segurança pública, assistência social e saúde, o que compromete a eficácia das políticas de proteção.
Entre as recomendações do relatório estão o fortalecimento das políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero, a ampliação do orçamento, a qualificação dos serviços e a implementação de ações preventivas permanentes. O documento enfatiza dois caminhos fundamentais: a promoção de uma mudança cultural, que confronte o machismo e a naturalização da ideia de posse sobre a vida das mulheres; e o fortalecimento das políticas públicas, com recursos adequados e pleno cumprimento da Lei Maria da Penha.