A Escola Municipal João Goulart trará até a Faculdades EST a exposição “Mulheres de Atenas não se calam mais”, desenvolvida dentro do projeto interdisciplinar “Viver é um direito de todas!”. As pessoas visitantes poderão conferir o trabalho na Biblioteca da instituição durante a primeira edição do EST Aberta, que ocorre no domingo, dia 24, das 14h às 17h, com entrada gratuita e diversas atividades no campus da Faculdades EST, localizado no bairro Morro do Espelho.
A iniciativa une educação, arte e compromisso social para promover reflexões sobre a violência de gênero e o enfrentamento ao feminicídio. Construído inicialmente para estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental, o projeto reafirma o papel da escola pública como espaço de formação crítica, sensível e comprometida com os direitos humanos, a equidade de gênero e a cultura de paz.
Segundo a coordenadora pedagógica, professora Angelita Lucas, o projeto surgiu da necessidade de criar espaços de diálogo e conscientização dentro da escola. “Acreditamos que a educação também precisa enfrentar temas urgentes da sociedade. O projeto possibilitou que as pessoas estudantes refletissem sobre a violência contra a mulher de forma humana, crítica e sensível, transformando aprendizado em posicionamento social”, destaca.
Como desdobramento das atividades desenvolvidas nas aulas de Arte, foi criada a instalação artística e performática “Vozes que não foram silenciadas: Mulheres de Atenas não se calam mais”. A obra reúne 21 máscaras de gesso presas a superfícies espelhadas que provocam o público com a pergunta: “Qual é o nosso papel diante do feminicídio?”. Cada máscara representa uma vítima real, transformando dor em linguagem estética e denúncia social.
A experiência é atravessada pela música “Mulheres de Atenas”, de Chico Buarque e Augusto Boal, apresentada em versão editada na voz de Elis Regina. A instalação também dialoga com trechos de Medeia Material, de Heiner Müller, e do filme Que bom te ver viva, articulados às produções autorais das pessoas estudantes.

De acordo com o professor Diego Walter, a proposta busca provocar envolvimento e responsabilidade coletiva diante da temática. “A performance convida as pessoas visitantes a não permanecerem apenas como espectadoras. Queremos gerar reflexão e sensibilização sobre uma realidade que ainda marca profundamente a sociedade brasileira”, afirma.
A exposição já mobilizou a comunidade escolar por meio de mostra artística e roda de conversa com pessoas convidadas e autoridades, consolidando a escola como espaço de produção cultural e debate social. Agora, a proposta amplia seu alcance ao ocupar novos territórios educativos.
Para o diretor geral da Faculdades EST, professor doutor Valério Guilherme Schaper, receber a exposição durante o EST Aberta reforça o compromisso institucional com os direitos humanos e a promoção da vida. “A Faculdades EST entende a educação como espaço de diálogo, consciência crítica e transformação social. Abrir nossas portas para uma exposição com tamanha sensibilidade e relevância é reafirmar o compromisso da instituição com a dignidade humana, a cultura de paz e o enfrentamento de todas as formas de violência”, ressalta.
A exposição, conforme Schaper, ultrapassa o espaço pedagógico e provoca uma reflexão coletiva sobre direitos humanos e dignidade. “Mais do que uma ação pedagógica, a exposição se configura como um movimento de resistência, memória e conscientização. Temos nessa arte um chamado coletivo para olhar, escutar e agir, reafirmando que a vida das mulheres não pode ser silenciada”.