Anúncio foi feito durante mobilização que reuniu lideranças religiosas, sociedade civil e academia em São Leopoldo
A Faculdades EST, localizada no bairro Morro do Espelho, sediará o primeiro Congresso da Frente Parlamentar Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A data do evento ainda será definida. O anúncio foi destacado durante a reunião promovida pela Frente Parlamentar na Câmara Municipal de São Leopoldo, no sábado (21/02), reunindo lideranças religiosas e representantes da sociedade civil para discutir o papel das comunidades de fé no acolhimento e na prevenção da violência doméstica e familiar.
A iniciativa, conduzida pelo vereador Fábio Bernardo, contou com a participação de representantes de diferentes tradições religiosas da região. A atividade evidenciou a importância de uma atuação conjunta entre poder público, espaços de fé e instituições acadêmicas no enfrentamento à violência de gênero.
Representando a EST, participaram o diretor-geral, professor doutor Valério Guilherme Schaper; a coordenadora do Programa de Gênero e Religião (PGR), professora doutora Soraya Eberle; o professor doutor Oneide Bobsin; e o coordenador da Pastoral Estudantil, pastor Carlos Eberle.
O momento proporcionou uma troca franca sobre as dificuldades enfrentadas pelas comunidades ao lidar com denúncias de agressão, além de destacar avanços já conquistados e desafios persistentes. Entre os temas debatidos estavam a escuta qualificada, a necessidade de romper com discursos que naturalizam a violência e a responsabilidade coletiva na proteção das vítimas.
Os dados são alarmantes. Somente em 2026, o Rio Grande do Sul já registrou 20 mortes decorrentes de feminicídio. Em 2025, 80 mulheres foram assassinadas por razões de gênero no Estado.O diretor-geral da EST enfatizou a urgência do tema e anunciou a realização do congresso na instituição. “Os números que estamos acompanhando neste início de ano são inaceitáveis e nos interpelam como sociedade. Cada feminicídio representa o fracasso coletivo na proteção da vida das mulheres”, afirmou. “Por isso, acolheremos na EST o primeiro Congresso da Frente Parlamentar Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres, criando um espaço amplo de reflexão, formação e articulação. Enquanto instituição acadêmica, temos a responsabilidade de produzir conhecimento, formar lideranças sensíveis à temática e contribuir com políticas públicas que promovam justiça e dignidade. A universidade não pode se omitir diante da violência”, destacou.
A coordenadora do PGR, professora doutora Soraya Eberle, salientou o papel do Programa de Gênero e Religião no enfrentamento às desigualdades. “O PGR nasce do compromisso da EST com a transformação social. Atuamos na pesquisa, no ensino e na extensão para desconstruir discursos religiosos que historicamente legitimaram a violência e fortalecer práticas de cuidado e proteção. O enfrentamento ao feminicídio exige ações efetivas, formação continuada e articulação entre instituições”.

A mobilização teve continuidade na sessão plenária da terça-feira (24/02), marcada por auditório lotado e intensos debates sobre o aumento dos casos de feminicídio no Estado. O ato em defesa da vida foi organizado pelas Promotoras Legais Populares e pelo Centro Ecumênico de Capacitação e Assessoria (Ceca).
Para a coordenadora do Programa de Gênero e Religião, professora doutora Marli Brun, a presença no ato simboliza um compromisso institucional permanente. “Participar deste momento público de denúncia e mobilização reafirma o compromisso do PGR e da EST com a superação da violência contra as mulheres. Não se trata apenas de debate acadêmico, mas de uma atuação concreta em defesa da vida, da justiça e dos direitos humanos”.