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Terceiro dia de Congresso


Terceiro dia de Congresso

Durante a manhã de quarta-feira, 10, aconteceram algumas Mesas Temáticas, como: Cultura, religião e gênero: violências e resistências, com a Profa. Dra María del Socorro Vivas Albán, Profa. Dra. Sandra Duarte de Souza, Ms. Rogério Aguiar; Função social do culto no contexto latino-americano, com Dr. Cláudio Carvalhaes e Dr. Romeu Martini;

A Mesa Temática que tratou sobre o tema Leitura intercultural da Bíblia, com Prof. Dr. Néstor Miguez e Prof. Dra. Tirsa Ventura, fez uma análise sobre o tipo de leitura que está sendo feito, hoje, do ‘livro sagrado’, e que acaba fazendo com que a interação entre o leitor e a Bíblia seja uma experiência religiosa diferenciada. “Que tipo de leitura fazemos hoje nas igrejas e fora delas também, foi um dos questionamentos que fizemos durante o debate”, sinalizou Profa. Dra. Tirsa Ventura, da Costa Rica. Segundo ela, essa questão ajuda na maneira de encontrar novas formas de praticar a religiosidade, sem a perspectiva de mercado ou de negócio. Sobre a temática do II Congresso, a Profa. Dra. Tirsa Ventura destacou a possibilidade de avaliar a forma como a religião aparece no mercado hoje.

“É uma temática muito importante, principalmente em função da religião como algo que sustenta o imaginário e a fé do povo. É importante essa reflexão no nível acadêmico, para ver como está sendo colocada a questão da religião nos diferentes níveis de relacionamentos sociais”, finalizou.

A Mesa Redonda sobre o Mal e a barbárie, com Prof. Dr. Américo J. Pereira, Prof. Dr. José Rosas e doutorando Marcelo Saldanha deu continuidade aos debates permeados pela filosofia de Michel Henry.

Durante a manhã também ocorreu a Oficina Cooperação Científica SUL-SUL, com a participação do Prof. Dr. Nico Koopman, Dr. David Xolile Simon, Prof. Dr. Ronaldo de Paulo Cavalcante, Prof. Dr. Rudolf von Sinner e Prof. Dr. Afrânio Patrocínio de Andrade.

A conferência que marcou a manhã desta quarta-feira foi realizada pelo Prof. Dr. Valério Schaper que falou sobre o tema "Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça." Religião, direito e mídia, com mediação do Prof. Dr. Noli Bernardo Hahn. Em sua fala, Prof. Dr. Valério Schaper propõe a questão do ouvir, mais do que o ‘ver’ e o ‘falar’. Também fez algumas considerações sobre a posição tradicional das igrejas em relação à comunicação, a partir da classificação de ‘eras’ proposta pelo francês Lucien Sfez, e sugeriu que a imprensa apresenta a informação como uma forma de comunicação estranha à narrativa. “O interesse nos processos narrativos é o de conservar a narração. A memória adquire aqui função decisiva, pois, pela atividade da ‘reminiscência’, sustenta-se a cadeia da tradição”, sinaliza Prof. Dr. Valério Schaper. “Nas comunidades cristãs, como comunidade de narradores e ouvintes, segue viva a possiblidade de que as experiências partilhadas e iluminadas à luz das experiências daquelas comunidades que nos antecederam no tempo conservem o fio da tradição”, finalizou o conferencista.

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À tarde, aconteceu a Oficina Música brasileira e gênero, coordenada pelas doutorandas Daniéli Busanello Krob e Luciana Steffen.

A Mesa Redonda Religiosidades na arte sequencial: um olhar à superaventura, com Ma. Christine Atchison e Dr. Iuri A. Reblin teve um público animado.

Também ocorreram as Mesas Temáticas Função social do culto e a cultura da midiatização, com Ms. Moisés Sbardelotto, Prof. Dr. Júlio C. Adam e Prof. Dr. Luiz Carlos Ramos; Diversidade e pluralidade nas tradições culturais e religiosas, com Ver. Dan González Ortega e Padre Eleazar López; e Pensar ao mesmo tempo a partir da diferença e da igualdade: um desafio epistemológico, teológico, ético e jurídico, com o Prof. Dr. Noli Bernardo Hahn, como moderação do Prof. Dr. Valério Schaper.

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À noite, aconteceu a cerimônia de outorga do Título de Doutora Honoris Causa à teóloga e filósofa Ivone Gebara. Para a cerimônia, o auditório foi transformado em uma ‘sala de estar’, para que os convidados e a homenageada sentissem o aconchego e a receptividade que somente um lar oferece. Infelizmente, por motivos de saúde, Ivone Gebara não esteve presente no evento, mas a cerimônia foi transmitida em tempo real pelo site da Faculdades EST.

No texto de agradecimento enviado pela homenageada ela destacou que esse é um título coletivo. “Se não fosse a luta de tantas mulheres por seus direitos e por fazer teologia desde a sua realidade não teríamos chegado onde chegamos. Cada uma deu algo de si, partilhou, sofreu para abrir alguns novos caminhos”, enfatizou Ivone em uma de suas correspondências.

A recomendação da concessão do título foi uma iniciativa  do Núcleo de Pesquisa de Gênero da Faculdades EST (NPG-EST), considerando que a biografia de Ivone Gebara revela um trabalho constante e profundo desde o surgimento da Teologia da Libertação e da Teologia Feminista no Brasil e na América Latina. Ela contribuiu de forma essencial para a formação teológica no contexto brasileiro e latino-americano, visibilizando a participação das mulheres na construção da Igreja e da sociedade.

A relação de Ivone com a Faculdades EST é de longa data. A leitura de seus textos e sua presença em atividades, ainda nos anos 80, foram fundamentais para o desencadeamento da discussão teológica a partir das mulheres. Ainda nos anos 80, ela esteve na EST, lecionando e dialogando com o Grupo de Mulheres e a Comissão Pró-Teóloga, que redundou na criação da Cátedra de Teologia Feminista, em 1991. Em 1987, a Revista Estudos Teológicos publicou o texto “Desafios que o movimento feminista e a teologia feminista lançam à sociedade e às igrejas”. Da mesma forma, seus estudos contínuos na área de gênero influenciaram toda uma geração de pesquisadores e pesquisadoras que  têm integrado o Núcleo de Pesquisa de Gênero desde 1999 e realizam suas pesquisas no Programa de Pós-Graduação da EST. Numa de suas últimas visitas à EST, participou do II Congresso Latino-Americano de Gênero e Religião (2006) como conferencista e sua contribuição foi publicada no livro “Epistemologia, sexualidade e violência”, em 2008.

O evento foi animado pelo grupo musical Gingapraquê, formado por estudantes da Musicoterapia e dos cursos Técnico e de Licenciatura em Música da Faculdades EST.

Na ocasião também foi apresentado o livro Querida Ivone: amorosas cartas de teologia e feminismo, pela Profa. Dra. Nancy Cardoso, uma homenagem de teólogos e teólogas para Ivone. Além disso, integrantes do Grupo de Pesquisa e Gênero da Faculdades EST produziram, de forma coletiva, um manto para presentear a homenageada feito de patchwork, uma montagem de vários bordados e tecidos para simbolizar o trabalho de ‘muitas mãos’ realizado por Gebara. O coordenador do NPG-EST, Prof. Dr. André Musskopf não escondeu a emoção: “Certamente este é um dos momentos mais importantes da minha vida”, disse ele. A quarta-feira encerrou em clima de festa e alegria com a certeza de uma homenagem reconhecida por todos que acompanham o trabalho da filósofa e teóloga Ivone Gebara.

Jornalista responsável: Mariana Bastian Tramontini


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