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Representantes do COMIN abordam a situação indígena brasileira em viagem internacional


Representantes do COMIN abordam a situação indígena brasileira em viagem internacional

Hans Trein, Merong Tapurumã, Renate Gierus e Jocelino Quiezza integraram a delegação do COMIN em viagem à Europa

Representantes do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN/IECLB) e dos Tupiniquim e Pataxó HãHãHãe percorreram cinco países da Europa em viagem voltada à mobilização de pessoas e recursos e ao relato vivo sobre a situação indígena no Brasil e o trabalho do COMIN.

“São poucas as pessoas que sabem ou que se interessam em obter conhecimentos mais detalhados sobre a situação dos povos indígenas, tanto no Brasil quanto na Europa”, disse a coordenadora Pastoral e Programática do COMIN, Renate Gierus.

Em passagem pela Suécia, a comitiva esteve reunida com representantes do povo indígena Sami, o único remanescente da Europa, totalizando cerca de 70 mil pessoas, no Círculo Polar Ártico, abrangendo os países da Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. Diferente do que acontece no Brasil, os Sami estão organizados através de um parlamento e vivem uma situação institucional de direitos mais assegurados, embora estejam incomodados com a presença de mineradoras em suas terras nativas.

Coordenador do Programa de Mobilização de Pessoas e Recursos do COMIN, Hans Trein relatou que, num primeiro momento, a impressão foi que os indígenas brasileiros que integraram a comitiva, Jocelino Quiezza e Merong Tapurumã, não reconheceram de imediato o povo Sami como indígenas em decorrência de seu biotipo muito semelhante ao europeu. “A conexão entre eles, de alma a alma e de luta a luta, apareceu com força no momento de uma apresentação de cantos e danças típicas Sami”, enfatizou.

Em encontro com representantes das agências de cooperação internacional que apoiam financeiramente o COMIN, entre elas a Federação Luterana Mundial, Pão para o Mundo, Zentrum für Mission und Ökumene, Evangelisches Missionswerk e Gustav-Adolof-Werk, a comitiva obteve uma sinalização positiva quanto à continuidade das parcerias. No entanto, esclareceu Hans, há uma sinalização clara de diminuição de recursos, além de uma insistência para que o COMIN busque apoio maior da própria IECLB e também maiores aportes financeiros em território brasileiro.

Embora o Brasil seja um país emergente, disse Hans, a cooperação internacional por vezes desconhece o fato de que a ideologia desenvolvimentista atropela questões sociais e de minorias, realidade que dificulta a captação de recursos nacionais para a manutenção das atividades do COMIN.

Na avaliação de Hans e Renate, a questão emblemática envolvendo as comunidades indígenas brasileiras permanece sendo o acesso à terra. Nesse quesito, o COMIN age em favor dos povos indígenas, considerando o direito a indenizações e/ou assentamentos aos ocupantes não indígenas. “Tais indenizações precisam englobar tanto as benfeitorias quanto os títulos de terra de boa-fé”, ressaltaram.

Essa luta histórica em torno da garantia das terras indígenas como bens inalienáveis e indisponíveis foi discutida junto a parlamentares federais em Berlin e estaduais em Hannover, quando os indígenas puderam fazer um relato sobre a sua situação e reinvindicações no contexto brasileiro.

Questionados pelos parlamentares alemães em relação ao tipo de ajuda que poderiam oferecer, os indígenas pediram que trabalhassem pela aprovação da Convenção 169 da OIT pela Alemanha e que se empenhassem para que não fosse mais comprado nenhum grão de soja produzido em terras indígenas em processo de demarcação.

Atualmente o Brasil conta com 305 povos indígenas que reúnem cerca de 900 mil pessoas, sendo que mais de 270 línguas indígenas ainda são faladas no país.

Embora a Amazônia concentre 97% das terras indígenas brasileiras, os povos mais numerosos são os Guarani que habitam o Rio Grande do Sul e países vizinhos e os Kainkang que habitam o Rio Grande do Sul.

Confira abaixo uma galeria de fotos da viagem.


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Jornalista responsável: Micael Vier Behs  


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