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Pregação 2 Tm 3.14-4.5


Pregação 2 Tm 3.14-4.5

Discentes do curso de Bacharelado em Teologia que cursam a disciplina de Liturgia do Culto Cristão organizaram os cultos realizados na capela da Faculdades EST durante o mês de outubro. Especialmente no dia 19, todo o grupo organizou o primeiro culto da turma, cujo tema foi “Fé - Confiança e Compromisso”. “A prédica foi feita em forma de carta, como se o personagem bíblico Timóteo nos escrevesse”, salientou o Prof. Dr. Júlio C. Adam.


Abaixo, segue a prédica-carta, que foi bastante elogiada.


***


Carta de Timóteo a Faculdades EST


Graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e Cristo Jesus, nosso Senhor. Estimada comunidade da Faculdades EST!


Nada nos pode separar do amor Deus, nem o tempo e nem o espaço. Por isso, eu, Timóteo, lhes escrevo. Muito me alegra poder escrever a vocês, assim como Paulo escreveu a mim, me instruindo, orientando e fortalecendo na fé. É com este propósito que lhes escrevo. Vivi nos primeiros anos da Igreja Cristã, na companhia de Paulo, outros discípulos e apóstolos, divulgando o Evangelho de Jesus Cristo. Nasci na cidade de Listra, na Galícia, região que hoje para vocês é a Turquia. Minha mãe, Eunice, assim como minha avó, Loide, eram judias. Delas aprendi muito sobre a fé judaica, o que me ajudou a entender muito melhor o movimento de Jesus Cristo e os fundamentos da fé cristã. Meu pai era grego. Eu me converti ao cristianismo, quando era ainda adolescente, quando Paulo passou por minha região falando empolgado de Jesus Cristo. Eu era novo, tímido, tinha dificuldade de me expressar... Mesmo assim, Deus me escolheu e Paulo me orientou para o meu ministério.


Estive em muitos lugares, como em Éfeso, em viagens missionárias, e pude conhecer bem o mundo em que vivia. Meu contexto era marcado por uma diversidade de ensinamentos, ideias, crenças e filosofias sobre a vida, a morte e a ressurreição. Existia de tudo no mesmo lugar, como um caldeirão de ideias divergentes entre si. Cada líder defendia uma filosofia e tentava encontrar adeptos e seguidores. Isto gerava um clima de dúvidas, incertezas e crises. Muitas doutrinas eram falsas e sem fundamentação alguma. Não ajudavam a viver. Quando Paulo apareceu por aqui, até pensei que ele era mais um desses. Depois entendi que o Evangelho era uma proposta diferente. O Evangelho tinha Jesus Cristo, sua vida, sua morte na cruz e sua ressurreição. Isto era algo bem diferente.


No meu tempo, o Brasil não era conhecido pelos mapas. Nem imaginávamos que pudessem existir terras no oeste distante, para além do que imaginávamos ser o fim do mundo. Sei que a fé cristã chegou por aí, já faz mais de 500 anos e chegou de várias maneiras; lamentavelmente também de forma violenta, carregada de interesses pessoais, grupais, econômicos, que contradizem com o próprio Evangelho. Mesmo assim, sei que há comunidades e pessoas que lutam para viver o Evangelho, também em meio às crises, ilusões e propostas confusas... O contexto de vocês se parece com o meu. Vejam o que escreveu Paulo na carta que me mandou: Porque haverá seres humanos amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela (2 Timóteo 3:2-5). Não parece que ele está falando das pessoas de hoje? A diferença entre meu tempo e o tempo de vocês é que entre vocês o próprio Evangelho é deturpado e distorcido. Para nós, o Evangelho era uma luz que clareava as incertezas.


Ouvi falar da Faculdades EST também. Sei que vocês comemoram 70 anos de história neste ano. Cumprimento vocês! Quem nos dera, em nosso tempo, tivéssemos lugares assim para estudar teologia cristã e onde pudéssemos, livremente, falar sobre a fé e o Evangelho. Quem me dera tivéssemos tantos livros e bibliotecas. Os poucos livros e pergaminhos que tínhamos, assim como as cartas dos apóstolos, levávamos escondidos de um lado para o outro. Sei também que entre vocês há maneiras diferentes de interpretar as escrituras e viver a fé, o que gera, às vezes, conflitos e feridas. Entre nós não era muito diferente. Paulo, algumas vezes, precisou nos apartar e nos reorientar no rumo de Jesus Cristo. O que talvez era diferente entre nós era nossa convicção e disposição de ir até as últimas consequências na defesa daquilo que críamos. Em nome do Evangelho, entregamos inclusive nossas vidas como testemunho.


Queria falar a vocês um pouco dos textos bíblicos que vocês acabaram de ouvir. Todos os textos nos falam da tensão de viver a palavra de Deus em meio ao conflito pessoal, comunitário, social, cultural e político. Vejam que Jacó (Gn 32.22-31), que era um grande líder político, teve também suas crises pessoais, conflito com seu irmão Esaú e com ele mesmo. Deus luta com ele, talvez para ajudá-lo a se encontrar. Deus o fere, mas também o abençoa. Na caminhada com Deus, às vezes, parece que estamos vendados, no escuro, não sabemos para onde vamos, não entendemos porque sofremos, precisamos lutar conosco mesmos e até mesmo com Deus. Mesmo assim, Deus está sempre andando com a gente e nos abençoando.


Jesus nos conta a história de um juiz injusto e de uma viúva insistente e inoportuna (Lc 18. 1-8). A viúva procura o juiz várias vezes pedindo por justiça. De tanto insistir, o juiz finalmente ajuda. Se até um juiz injusto faz justiça, quanto mais Deus ouvirá nossas orações. Jesus conta esta história para nos animar na oração e na insistência. Esmorecemos muito rápido diante das dificuldades, das injustiças, da violência... A fé é abrir espaço, para que Cristo seja em nós, na sua Igreja, no mundo, um Cristo vivo, e assim possamos viver a fé, a confiança e ir à luta por mudança e transformação.


Escrevo a vocês o mesmo trecho que Paulo escreveu para mim e que também vocês já ouviram hoje. Queria reforçar estas palavras: Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, e que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para repreensão, para corrigir, para instruir na justiça; para que a pessoa de Deus seja perfeita, e perfeitamente instruída para toda a boa obra. Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, se sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério (2 Tm 3.14-4.5).


Foi muito importante para mim, jovem, assim como para muitos de vocês, receber estas instruções de Paulo. Ele reforça que eu devo confiar e me manter firme naquilo que eu já sabia, aquilo que eu tinha aprendido da minha mãe, minha avó, de Paulo e dos outros cristãos e cristãs. Às vezes, também, quando a gente vai estudar ou se acostuma com a vida de igreja, a gente esquece o que aprendeu em casa. Esquecemos as nossas origens, os nossos fundamentos de vida, dos nossos valores da meninice. Em um mundo cheio de novas propostas e ofertas atraentes e empolgantes, como o que eu vivi e o contexto que vocês vivem, é tentadora a ideia de abandonar o Evangelho e seguir aquilo que a maioria segue. Parece que o que é bom é a novidade. Manter-se firme nos princípios de Jesus Cristo foi difícil para mim, para Paulo e também para vocês. O desafio é tornar novidade a nova vida trazida por Jesus Cristo. Ser sóbrio na vivência do Evangelho. Para isto, precisamos lutar como Jacó, insistir como a viúva e precisamos orar muito.


Uma pergunta: quais são as grandes fábulas que alimentam os sonhos, os desejos e as esperanças das pessoas no Brasil e na EST, hoje? No meu tempo, eram muitas as grandes fábulas. Em meio a este turbilhão de doutrinas, ideias e filosofias, foi muito importante ouvir Paulo dizendo para confiarmos nas Escrituras, no Evangelho, em Jesus Cristo. Aprendi com Paulo que o Evangelho não é uma verdade fechada, mas um caminho de diálogo. O Evangelho de Jesus Cristo é nosso referencial, nossa base, nosso ponto de apoio. Quando temos um ponto de apoio, fica mais fácil ver e avaliar o mundo ao redor. Com o Evangelho na bagagem, sabemos quem somos e por isso fica mais difícil ser arrastado por qualquer nova proposta que aparece. Esta orientação de Paulo foi trazida por Lutero, no tempo dele. “Nossa doutrina e conduta não se baseiam em nós mesmos, e o que fazemos não por causa de nós, e sim, por causa de Cristo, o Senhor, de quem nos vem todas as coisas e por cuja vontade pregamos, vivemos e sofremos,” assim disse Lutero.


Mesmo assim, viver o Evangelho é sempre uma luta, não esqueçam disso. É como secar gelo! É como nadar contra a corrente! Mas a Igreja e a pessoa cristã fazem a diferença lá onde estão. Uma segunda pergunta: Se as igrejas e as comunidades cristãs das cidades de vocês não mais existissem, faria alguma diferença na vida das pessoas? Se a Faculdades EST não mais existisse, faria falta na vida do povo brasileiro, na vida das igrejas? Se o Evangelho não fosse mais pregado, faria falta na vida de vocês e na vida das pessoas? Acredito que seria uma grande perda! Mesmo assim, fazer estas perguntas talvez ajude vocês a retornar para a palavra, agarrar-se a ela como fonte de água boa, fresca e revigorante. Tentei fazer a diferença no meu tempo! Paulo me ajudou a não desistir, a combater o bom combate e permanecer na fé! Que minha carta e a Palavra de Deus sejam uma luz e um fortalecimento a cada um/a e a Faculdades EST no seguimento a Jesus Cristo. Como fazíamos por aqui, quando recebíamos as cartas, sugiro que vocês discutam o que escrevi. Se possível, respondam a carta no dia-a-dia de cada um/a.


Um abraço fraterno,


Timóteo. 


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