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Diferentes olhares sobre Mídia, Cultura e Religião


Diferentes olhares sobre Mídia, Cultura e Religião

A conferência que marcou a manhã desta quarta-feira no II Congresso Internacional da Faculdades EST foi proferida por Frei Betto, que falou sobre o tema Comunicação imagética e a quebra da historicidade, com mediação do Prof. Dr. Oneide Bobsin. A fala de Frei Betto foi marcada pela informalidade e pelo bom humor, a plateia admirou os exemplos trazidos por ele. Frei Betto afirmou que um dos motivos da crise vivenciada pela humanidade é a quebra das grandes narrativas, o que pode estar relacionado com a falta de utopia das novas gerações, segundo ele. “A pergunta que devemos fazer é: ‘que fé é essa que não questiona?”, indicou Frei Betto, sobre essa dificuldade que temos hoje em captar a historicidade. “É preciso criticar o hoje para projetar o futuro”, alertou, salientando que todos os processos libertários foram movidos por gerações que tinham consciência histórica. O conferencista também ressaltou que cada determinada época é definida por um paradigma. “Na Idade Média era a religião, na Idade Moderna a ciência e a tecnologia, na Pós-Modernidade, por enquanto, podemos dizer que é o mercado”, disse ele. Frei Betto também foi enfático ao dizer que os recursos tecnológicos, como internet, redes sociais e outros meios, fazem parte de uma estratégia de alienação. “Essa tecnologia promove a evasão da privacidade, pois as pessoas se expõem como mercadorias”, assinalou.

Prof. Dr. Oneide Bobsin, reitor da Faculdades EST, relembrou a trajetória de Frei Betto e sua ligação com São Leopoldo, já que ele estudou teologia no Seminário Cristo Rei e participou do movimento de resistência à ditadura militar. “As pessoas perguntam por que estou sempre envolvido com política. E eu digo: porque sou discípulo de um preso político. Ele morreu como vários companheiros meus na ditadura. Foi preso e torturado”, disse.

Frei Betto elogiou o tema do II Congresso Internacional da Faculdades EST.

“É uma iniciativa louvável, porque vivemos, no mundo inteiro, o desafio do que significa a religião com as demais instituições, principalmente com a política. E nós temos todo tipo de tendência, desde movimentos fortemente anti-religiosos até o extremo fundamentalismo religioso”, salientou, ao falar sobre a importância da religião frente à atividade política. Sobre a relação entre mídia e religião, Frei Betto fez um resgate do tempo em que cursou a faculdade de Jornalismo, nos anos 60. “Naquela época, diziam que a mídia era o quarto poder, hoje eu tenho certeza de que ela é o primeiro poder. A mídia, pelo alcance que ela tem, pelo poder de formação de hábitos de consumo na opinião pública, rege a maneira de pensar do maior número de pessoas no mundo. Ainda mais nesse mundo capitalista neoliberal onde fica mais difícil a formação da consciência crítica”, assinalou. Para Frei Betto, a mídia é responsável pelos modismos, por isso, segundo ele, é necessário discutir a questão da redemocratização da mídia. “Sem uma mídia que possa dar voz aos oprimidos, que possa expressar opiniões alternativas, nós estaremos aceitando uma ditadura midiática, que está visceralmente associada ao grande capital, e isso é bastante problemático”, disse ele. “A imposição é generalizada. Nós não temos um processo de globalização, nós temos um processo de ‘globocolonização’, com a imposição de um modelo de sociedade que é o modelo capitalista neoliberal. Isso não é globalização. Seria se outros modelos ou outras culturas emergissem no cenário da mídia e isso não ocorre”, alertou. Mas, apesar do cenário obscuro que ele apresenta, Frei Betto acredita que o capitalismo será revertido por causa das contradições que ele mesmo carrega. “Não é um processo fácil ou imediato. Mas tenho esperança de que estamos plantando a semente de um modelo alternativo baseado na solidariedade e não na competitividade”, finalizou.

Entre as Mesas Temáticas, O lugar do Ensino Religioso na perspectiva do ordenamento jurídico brasileiro, com o Prof. Dr. Haroldo Reimer e moderação da Profa. Dra. Laude Erandi Brandenburg teve um público interessado em saber mais sobre liberdade religiosa, ensino religioso e ordenamento jurídico brasileiro, uma das questões mais complicadas para a presença da religião na escola. A complexidade da relação entre a educação e a religião também passa pelas políticas públicas e por isso merece olhar atento dos pesquisadores, informou a Profa. Laude.

A Mesa Temática sobre Multiculturalismo, Direito e Religião teve três apresentações: Direitos humanos das mulheres e movimentos feministas nas sociedades multiculturais: uma leitura a partir perspectiva teórica do reconhecimento e da redistribuição de gênero em Axel Honnet e Nancy Fraser, de Rosângela Angelin; Faded Ink: a philosophical exploration of South African political history as civil theology, de Ndumiso Dladla; e Confess, witness, forgive: the mythical foundations of na imagined state, de Petrus Delport, com moderação de Rosângela Angelin e Kathlen Luana de Oliveira. Para o público, essa Mesa apresentou novidades. “Estamos acostumados a ouvir na mídia informações bem diferentes daquelas que os palestrantes da África do Sul apresentaram. Principalmente sobre a questão de que o apartheid foi uma ‘certa’ farsa. Isso, para nós brasileiros, é uma novidade. O povo lá está tendo que aprender a lidar, a pensar, a repensar essa questão toda. A constituição não permite devolver terras às tribos indígenas. E essas pessoas não têm como garantir representatividade no parlamento. É uma questão delicada e que deve preocupar além dos sul-africanos, o mundo todo”, disse Eliezer Bublitz, ex-aluno da Faculdades EST.

A Mesa Temática O nupcial entre o Eros e as relações econômicas também teve três apresentações: Dispositivos, desejo e a esfera pura: Agamben e..., de Ana Carolina Jungblut; Metáforas familiais na teologia da Reforma: re-socialização da doutrina da justificação, de Bo Kristian Holm; e Matrimônio como matriz, metáfora ou mística: a heterogeneidade do amor em Histórias de Amor de Julia Kristeva, entre São Bernardo e Bataille, de Profa. Dra. Else Marie Wiberg Pedersen. Ao falar brevemente sobre o amor heterogêneo, a pesquisadora afirma que ele se encontra numa dialética entre a individualidade e a comunhão de dois indivíduos, respeitando um ao outro como duas pessoas diferentes, que tem algo em comum e compartilham uma vida respeitando suas individualidades. “Em outras palavras, uma verdadeira parceria exige a parceria de duas individualidades, que podem contribuir e compartilhar pontos fortes e fracos de cada um. Neste sentido, o amor heterogêneo é um pré-requisito de uma verdadeira democracia”, sinaliza a Profa. Dra. Else Marie. Sobre a presença da religiosidade nesse contexto, a pesquisadora indica que a religião deve ocupar um papel cívico e apresentar a mensagem do amor heterogêneo. “Vivemos em um tempo, pelo menos no Ocidente, onde o ego de cada um desempenha um papel hegemônico, sem qualquer respeito pelo outro como uma pessoa igualmente importante. Tudo é sobre mim. Eu, eu, sem respeito por ninguém. Por isso qualquer religião responsável deve funcionar como parte da sociedade civil e ajudar as pessoas a ser e agir humanamente”, disse. O tema do II Congresso, para a pesquisadora, forma uma complexidade que deve ser debatida. “Devemos salientar que a mídia deve ser separada do poder e da religião, e ser usada como meio de comunicação. Por isso, este congresso assumiu um papel mais importante do que o tema”, indicou a Profa. Dra. Else Marie. Ela também elogiou o trabalho realizado pela Faculdades EST no campo da teologia e gênero. “A pesquisa e ensino no campo da Teologia mantém um nível muito alto e contribui significativamente para o estudo desse tema na América Latina e até num contexto mais abrangente”, disse. 

Questionada sobre o desafio que se coloca para os pesquisadores que lidam com essa cultura individual e narcisista da atualidade Else foi enfática ao dizer que uma pessoa narcisista está preocupada apenas consigo mesma, não com qualquer coisa como um sólido conhecimento ou uma boa pesquisa. E acrescentou: “Se queremos que as sociedades sejam verdadeiramente democráticas precisamos educar os indivíduos com seus próprios egos, mas com confiança para olhar criticamente as estruturas e fazer a sociedade se desenvolver de forma construtiva para o bem comum. Essa deve ser a tarefa por excelência da pesquisa”, disse ela.

Nesta quinta-feira, 11, também aconteceu o Painel de Criatividade Litúrgica, na Capela da EST, com relatos de experiências e propostas inovadoras.

À tarde, ocorreu a Mesa Redonda Religiosidades e quadrinhos brasileiros, com Laudo Ferreira Jr. e Me. Amaro Braga Jr.; a Conferência Teologia, Ciência da Religião e a busca pela racionalidade, com Prof. Dr. Martin Hailer.

A Mesa Temática O espírito e os Espíritos: um diálogo intercultural teve a participação do Prof. Dr. Andreas Grünschlo, Prof. Dr. Fritz Heinrich, Prof. Dr. Wilhelm Wachholz e moderação do Prof. Dr. Rudolf von Sinner; e a Mesa A contribuição das instituições diaconais para os processos de ampliação da democracia moderna teve a participação de Frei Betto, Prof. Dr. José Ivo Follmann e Prof. Dr. Sturla Stallset, como moderação de Prof. Dr. Rodolfo Gaede Neto.

Na quinta-feira também ocorreram várias mesas temáticas referentes ao II Simpósio de Música e Cidadania, entre elas: Metáfora musical em Musicoterapia, com a Profa. Dra. Lia Rejane Mendes Barcellos; Música popular nas Graduações, com a Profa. Dra. Luciana Prass; e Música na formação do Educador Musical e do Musicoterapeuta, com Profa. Dra. Lia Rejane Mendes Barcellos, Profa. Dra. Luciana Prass, e Profa. Dra. Laura Franch Schmidt da Silva.

A Profa. Dra. Lia Rejane Mendes Barcellos salientou a importância do paciente se sentir seguro durante a terapia. E tal segurança pode ser encontrada na harmonia dos sons que o musicoterapeuta vai oferecer durante a sessão. Também alertou que o paciente mais difícil sempre é aquele que já teve formação musical, pois com ele, normalmente, será necessário colocar em prática a transposição musical para atingir o objetivo. “O que nos interessa em alguns casos não é o musical, mas sim o que a música está fazendo com o cérebro do paciente”, disse ela. E alertou: “Em musicoterapia, a música não é só do terapeuta para o paciente, é preciso que o paciente tenha uma colaboração. Afinal, não temos que entender somente a música, mas temos que entender os gestos, as manifestações sonoras, rítmicas, isoladas.” 

Jornalista responsável: Mariana Bastian Tramontini

 




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